Quinta, 24 de Abril de 2014
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Mundo

08/11/2013 - 13:48

Guiné-Bissau adia eleições para 2014

Decisão cria expectativas sobre processo de redemocratização e preocupa comunidade internacional

A comunidade internacional, que confiava que as eleições em Guiné-Bissau – marcadas para o próximo dia 24 de novembro – reintegrariam o país ao caminho da plena redemocratização, recebeu com preocupação o anúncio do adiamento do pleito para 2014, sob alegação de falta de recursos para realizá-las.

Há poucos dias, na Assembleia-Geral das Nações Unidas, o presidente de transição da Guiné-Bissau, Manuel Serifo Nhamadjo, deixou subentendido que o país não realizaria as eleições, ao declarar – um tanto em cima da hora – que seu país contava com a ajuda do Brasil para a realização das eleições gerais.

Nhamadjo pediu também na ocasião a paciência da comunidade internacional para com a Guiné-Bissau: “Sou presidente da República de transição e esta designação transmite algo que é particular e excepcional. Um golpe militar tinha deposto um presidente da República interino e um primeiro-ministro ‘auto-suspenso’ e lançado numa campanha eleitoral inconclusa para a presidência da República. Perante tal situação, perguntamos: então, o que fazer?”

Deixou também claro que a culpa pela situação não era sua. “Tentaram por todos os meios aplicar a forma de quanto pior para a Guiné-Bissau, tanto melhor. Somos uma democracia, é verdade, não obstante todos os defeitos, todas as violações da razão democrática do Estado, tantos desvios que nós somos os primeiros a reconhecer. Passe a imodéstia, eu sou um democrata por convicção amadurecida e que nunca fui golpista, nem mandante de ações golpistas.”

Assembleia Nacional de Guné-Bissau Foto: Colleen Taugher/Wikimedia Commons

Assembleia Nacional de Guné-Bissau
Foto: Colleen Taugher/Wikimedia Commons

Para a ONU, o adiamento das eleições não chegou a surpreender. Em 5 de setembro, o representante do Secretário-Geral da Organização, José Ramos Horta, informou ao Conselho de Segurança que, apesar de um possível atraso nas eleições marcadas para novembro, os esforços políticos estavam produzindo bons resultados e que a paz reinava no país.

Naquela ocasião, Ramos Horta identificou problemas de financiamento e de logística como razões para o adiamento do pleito. Para ele, se a votação for adiada por um curto período, não haverá problema. “Porém um longo atraso poderá desestabilizar a situação política, minando os esforços já conquistados”, apontou.

Soldados guineenses tomaram o poder no país em abril de 2012. A Guiné-Bissau tem uma história de golpes, instabilidade e desgoverno político desde que se tornou independente de Portugal em 1974. A ordem constitucional ainda não foi restaurada e um governo de transição está em vigor até que eleições sejam realizadas.

Redação do brazilafrica

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