Domingo, 20 de Abril de 2014
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Alimentos

27/11/2013 - 15:27

Leite para combater a desnutrição

Rico em nutrientes, o leite melhora a qualidade da alimentação e gera renda nos países em desenvolvimento

 Foto: FAO

Governos devem criar programas que incentivam o consumo e a produção de leite
Foto: EADD/Neil Thomas/FAO

Fonte de proteínas, essencial para crianças e aliado fundamental na luta contra a desnutrição, o leite melhora a  alimentação e a renda de milhões de pessoas, principalmente nos países em desenvolvimento.

Para aproveitar todo o potencial do alimento, os governos devem investir em programas que tornem o leite e seus derivados acessíveis para as famílias carentes, ajudando-os a produzir em pequena escala, em casa mesmo.

As conclusões são do relatório Milk and Dairy Produtcts in Human Nutrition (Leite e produtos laticínios na nutrição humana), divulgado na terça-feira (26) pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).

Para a diretora sênior de nutrição da FAO e coeditora da publicação, Ellen Muehlhoff, esse alimento é imprescindível. “Como parte de uma dieta balanceada, o leite e os produtos de laticínios são uma importante fonte de energia alimentar, proteína e gordura”, afirma. Nos países em desenvolvimento a dieta da população mais pobre é baseada em amido ou cereal. A diversificação e a combinação de alimentos são necessárias para uma dieta saudável.

Com produção diversificada, a África conta com leite proveniente de vaca, de búfala, ovelha, cabra e camelo. Todos esses leites são fontes de nutrientes e podem substituir, alguns até com mais qualidade, o tradicional leite de vaca, ressalta o relatório.

Produção de leite na África subsaariana e no norte do continente:

milk tabela

Estima-se que o consumo de laticínios nos países em desenvolvimento cresça 25% em 2025, alavancado pelo crescimento populacional e aumento das receitas familiares. Mesmo assim, o leite e seus derivados ainda ficarão fora do alcance das famílias vulneráveis. Para alterar esse cenário, os governos precisam encarar a nutrição com um objetivo específico no desenvolvimento do setor de laticínios.

Retorno financeiro

Para o diretor de indústria pecuária da FAO, Anthony Bennett, os pequenos produtores podem se beneficiar mais com a produção de leite do que com determinados tipos de plantações. Geralmente o agricultor tem retorno uma ou duas vezes ao ano, já a produção leiteira é diária. A oferta imediata de dinheiro ajuda a suprir necessidades familiares com alimentação, artigos domésticos, vestuário e educação.

Cerca de 150 milhões de famílias – 750 milhões de pessoas – estão envolvidas com a produção de leite no mundo. Grande parte delas está nos países em desenvolvimento. “O maior desafio do governo é desenvolver políticas inclusivas e estimular investimentos; o setor privado deve ajudar esses agricultores a obter vantagens no crescimento da demanda por leite e seus derivados, aumentando sua qualidade de vida”, diz Bennett.

África precisa aumentar o consumo

O continente conseguiu reduzir em 35% o índice de crianças abaixo do peso entre 1990 e 2011. Ainda assim, a África, somada ao sul da Ásia, abrigam 90% dos 165 milhões de crianças com menos de cinco anos que estão abaixo do peso ideal. A desnutrição começa ainda durante a gestação, por causa da nutrição materna insuficiente, continua durante os primeiros anos de vida, causando alto índice de infecções e podem culminar em ritmo lento de crescimento infantil e afetar o desenvolvimento cerebral.

A diferença entre produção e consumo na África subsaariana preocupa a FAO Foto: Uganda/FAO

A diferença entre produção e consumo na África subsaariana preocupa especialistas
Foto: Patrick Otto/FAO

A África Subsaariana necessita de maior atenção por parte das autoridades. A localidade progrediu pouco no combate à deficiência de vitamina A – causadora de cegueira e morte infantil – registra queda no consumo de laticínios, uma das fontes da substância. A diminuição do consumo contrasta com o aumento crescente da produção, que alcançou 29,6 milhões de toneladas em 2010. Já o norte da África e o Oriente Médio registram um aumento discreto de 0,4% no consumo. Em 2010, a produção expressiva de 40,5 milhões de toneladas.

Contudo, o continente sinaliza mudanças no quadro, com a implementação de medidas que enfatizam a nutrição –incluindo a ingestão de leite – como um insumo básico nas estratégias de combate à pobreza. O departamento de saúde da África do Sul, por exemplo, recomenda o consumo de 500 ml a 750 ml de leite para crianças com idade entre sete e 13 anos e uma média de 250 ml para pessoas acima de 14 anos.

O documento aponta ainda a participação predominante das mulheres na produção leiteira na África Oriental, apesar de em alguns casos elas não terem o controle de insumos (terra, créditos, forragens para os animais) e da receita gerada pela produção.

Redação do brazilafrica com informações da FAO

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